VP da JTB América Latina fala sobre as lições da pandemia

31/08/2020

Masahiro Harada, vice-presidente da JTB America Latina (Foto: Divulgação)

O vice-presidente da Quickly Travel e JTB América Latina, Masahiro Harada, expatriado da JTB no Brasil, conta como o Japão está reagindo em relação à crise gerada pela covid-19 e as lições que o país nos dá. No Brasil, a antiga Alatur JTB, hoje AJ Mobi, é a empresa da JTB.


Confira a entrevista:


PORTAL PANROTAS - O senhor estava no Japão desde o início da pandemia?

MASAHIRO HARADA - Não, eu já estava no Brasil quando tudo isso começou e não consegui voltar ao Japão. Apenas no início de julho consegui ir para visitar minha família, mas já estou de volta a São Paulo.


PP - O Japão se destacou no controle da pandemia mesmo sem adotar um regime mais severo de isolamento social, como o chamado lockdown. Como foi a experiência e como o governo japonês conseguiu agir no combate ao vírus?

HARADA - No Japão, há várias análises sobre o motivo pelo qual o país foi capaz de controlar a infecção inicial.


Os hábitos cotidianos para a prevenção de resfriados e gripe comuns, como o uso de máscaras, lavagem das mãos e gargarejo, foram eficazes contra a covid-19.


Mesmo que o "pedido de autocontenção" não seja obrigatório, tem obtido o mesmo efeito do isolamento social devido às questões culturais japonesas de já manter um distanciamento e não ter muito contato físico em momentos de saudações.


PP - Como a vida tem seguido no Japão, sobretudo em Tóquio, que é a região mais povoada do país?

HARADA - Desde que o estado de emergência foi suspenso em maio, shopping centers, restaurantes e outros negócios estão voltando gradualmente. No entanto, no final de julho, o número de novos casos de Covid-19 voltou a crescer, e existe a possibilidade de voltar a ter o controle no comércio.


PP- E o metrô? Como tem sido o uso do transporte público em Tóquio?

HARADA - Quando a situação da covid-19 foi piorando, o número de pessoas nos transportes públicos do Japão caiu significativamente. Ainda assim o transporte público continua funcionando normalmente, apenas com horário de operação dos transportes alterados, analisando o comportamento dos usuários. Além das novas medidas de segurança que estão sendo tomadas, tais como a abertura de todas as janelas, limpeza mais frequente de todas as estações (incluindo botões de elevador e escadas) e dentro dos vagões também está sendo desinfetado com álcool. Dentro das estações também há cartazes incentivando a população a se cuidar, usar máscaras, higienizar as mãos e respeitar o próximo. De modo geral não há muita movimentação nas estações e os japoneses cumprem à risca o distanciamento entre as pessoas.



PP - Restaurantes, bares, museus, templos e cafés, chegarem a ser fechados durante o ápice da pandemia? Se sim, já voltaram a receber público?

HARADA - Após a declaração do estado de emergência em abril, muitas lojas comerciais, restaurantes e instalações públicas foram fechadas. Com a declaração de suspensão do estado de emergência em maio, estamos reiniciando gradualmente as operações. Parece que nas lojas o distanciamento social é assegurado, a temperatura é medida e há álcool gel ao entrar na loja.


PP - Quais os protocolos adotados pelos restaurantes em casos de grupos, vistos que muitos já tem uma capacidade reduzida?

HARADA - Nos restaurantes, as medidas tomadas são como reduzir o número de assentos usados para proteger o distanciamento social, reservas on-line, definir divisórias transparentes entre os assentos para evitar infecção por respingos e ter ventilação no local. Alguns municípios estão solicitando que não haja um grande número de pessoas (mais de cinco pessoas). Tem havido relatos de casos de infecções em massa causadas em refeições com grande número de pessoas. Portanto, ainda não é possível refeição com grande número de pessoas.



PP - E o lado coorporativo? Os escritórios foram fechados? Reuniões de negócios presenciais foram canceladas ou substituídas por conferências de vídeo?

HARADA - Os escritórios não estão fechados, porém muitas empresas mudaram para o home office, assim como a maioria dos outros países. Em questão de eventos presenciais, todos foram cancelados ou migrados para o on-line. No Japão e no mundo as conferências de vídeo estão sendo realizadas em massa e isso nos possibilitou em realizar diferentes atividades em diversos locais.


PP- Como foi a adaptação do home office para empregados e empregadores?

HARADA - A transição em si parece ter sido bem tranquila. Houve várias oportunidades para promover o home office no país, como após o Grande Terremoto do Leste do Japão em 2011. Portanto, parece que as empresas que estavam prontas, fizeram uma transição particularmente tranquila. Por outro lado, culturalmente, os japoneses não têm o habito de passar o tempo livre em casa, portanto as residências são menores (além do metro quadrado ser bem caro). É por esse fato que algumas pessoas não se adaptaram ao home office e gradualmente as empresas liberaram a volta do trabalho no escritório.


PP - E os ingressos de turistas, estão voltando a visitar o país?

HARADA - Os turistas estrangeiros que visitam o Japão não voltaram porque as fronteiras ainda estão fechadas para não japoneses.


PP - As fronteiras estão abertas para todos ou há restrições a países que apontam descontrole na gestão da doença, caso do Brasil e Estados Unidos?

HARADA - Ainda hoje, as restrições de entrada se aplicam a mais de 140 países, incluindo Estados Unidos, Canadá e Brasil. Aos poucos o Japão está flexibilizando a entrada de não japoneses, mas apenas para países que estão com um maior controle da pandemia e/ou possuem laços comerciais importantes.


PP - Como tem sido a rotina de trabalho na JTB durante a pandemia? Alguma coisa mudou?

HARADA - A JTB também está de home office e migrando tudo que é possível para o online. Estamos desenvolvendo áreas além da viagem, como feiras e assembleias. Nosso direcionamento é fazer a JTB crescer ajudando os clientes na solução dos seus problemas, seja qual for. Em tempos como esses devemos desenvolver novas coisas, vendo como uma oportunidade. Com o relaxamento da quarentena, agora estamos reiniciando o funcionamento das nossas lojas, tomando todas as providências.


PP - Aliás, qual o impacto da pandemia nos negócios da JTB no Japão? Houve queda de receita? Se possível especifique como se deu e quais as medidas sendo tomadas para reverter as baixas.

HARADA - Não apenas a JTB, mas todos da indústria do Turismo sofreram impacto nos negócios e esse foi o momento para nós nos reinventarmos. Pensar em diferentes propostas para oferecer de acordo com as necessidades dos nossos clientes de maneira segura e confortável é um desafio e tanto, mas com seus mais de 100 anos de experiência, a JTB vem se preparando para suportar as crises que aparecem no caminho.


PP - Qual a expectativa da JTB para a retomada do turismo no país?

HARADA - Assim como qualquer outra empresa de turismo, a JTB também sofreu com a crise causada pelo novo coronavírus, tanto nas viagens de lazer, quanto nas de negócios, grupos de incentivo, eventos e etc.

Se adaptar ao “novo normal” foi mais do que necessário para driblar os impactos causados pela pandemia junto aos nossos clientes e parceiros do setor corporativo. O bom relacionamento com esses stakeholders, aliás, nos ajudou a pensar em novas soluções para o momento, como a aposta nos meios digitais.


Um bom exemplo disso diz respeito a situação ocorrida em fevereiro, quando um dos nossos clientes mais importantes, precisou cancelar um evento na China, por conta da pandemia. Diante da situação, um dos nossos escritórios propôs a realização do evento de forma online. No fim das contas, esse cliente ficou muito satisfeito com a solução encontrada e o evento foi um sucesso.


Cases como esse nos mostram que mesmo em um cenário complicado, uma boa relação com cliente e soluções inteligentes e digitais são o caminho para uma rápida adaptação ao novo cenário mundial. O Grupo JTB acredita que o “digital” é a chave para o futuro.


PP - Os passeios e circuitos regulares já normalizaram? Quais os protocolos adotados? Existe restrição no número de participantes?

HARADA - Os passeios e circuitos ainda não estão normalizados. Retomamos os negócios em instalações turísticas, como parques temáticos, porém opera-se controlando o número de visitantes, e limitando a entrada de quem comprou os ingressos com antecedência. Os protocolos adotados são os exigidos pela OMS, com distanciamento, uso de máscaras, higienização constante, medição de temperatura, ventilação nos ônibus, limite máximo de pessoas e caso tenha alimentos envolvido, é tudo empratado com o mínimo de contato de possível.


PP - O que a JTB tem feito para tranquilizar os seus clientes antes ou durante as suas viagens?

HARADA - Além de manter um contato mais próximo (virtualmente) com os clientes para sempre deixá-los informados, a JTB vem aplicando todos os protocolos necessários para manter a segurança de todos em suas lojas e consequentemente em suas viagens. Dentre eles estão disponibilização de álcool em gel na porta de fora e dentro da loja, todos os funcionários usam máscaras, placas de acrílico como uma barreira protetora e desinfecção constante das mesas, cadeiras, equipamentos e materiais da loja.


PP - Há algum temor por parte do governo japonês sobre o cancelamento em definitivo dos Jogos Olímpicos?

HARADA - Não há relato de que o governo japonês esteja preocupado e acreditamos que até lá terá uma vacina e conseguiremos realizar o maior evento esportivo do mundo com toda a segurança necessária para todos.


PP - Como os japoneses tem encarado a questão dos Jogos Olímpicos? A população apoia a realização dos jogos no ano que vem?

HARADA - É de conhecimento que uma parcela da população não apoia o evento diante deste novo cenário, mas também há muitos espectadores e atletas que estão animados, se reinventando para conseguirem se preparar para os Jogos. Porém é considerado significativo realizar essas Olimpíadas, que é um evento esportivo global em que países de todo o mundo se reúnem para disputar o primeiro lugar, mostrando a superação de dificuldades enfrentadas pelo mundo.


PP - E a JTB? Como está encarando essa possibilidade?

HARADA - A JTB é a agência de viagens oficial dos Jogos Olímpicos de Tóquio, portanto estamos muito animados com esse grande evento. Acreditamos que é de extrema importância a realização do evento para que continuemos inspirados, enfrentando desafios, criando conexões e construindo um futuro brilhante para todos.


PP - Sobre o mercado Brasil, como a JTB vê a recuperação das viagens de brasileiros no médio e longo prazo? Este continua sendo um público relevante para as Olimpíadas e as viagens ao país, no geral?

HARADA - Analisando a estrutura populacional e o potencial de crescimento econômico do Brasil, esperamos que se torne um mercado promissor no médio a longo prazo. Do ponto de vista das viagens internacionais para o Japão, o Brasil é geograficamente o país mais distante, contudo os brasileiros possuem bastante interesse nos destinos da Ásia em geral e a JTB está apostando neste mercado.


Fonte: Panrotas

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