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Inspira: Ecoturismo também pode ser para idosos e mulheres solo

17/05/2023

Notícia: Panrotas

Inspira: Ecoturismo também pode ser para idosos e mulheres solo (foto: AdobeStock)

Mulheres querem viajar mais sozinhas, inclusive para conhecer lugares mais remotos em meio à natureza. Assim como pessoas acima dos 60 anos de idade, que não querem ter suas preferências definidas pelos estereótipos alheios.


Essas foram duas tendências apresentadas por representantes desses próprios grupos durante o Inspira Ecoturismo, evento organizado pelo Sebrae que discute tendências do ecoturismo em Bonito-MS. Em um painel sobre novos perfis de viajantes no ecoturismo, as palestrantes mostraram que há demanda por viagens na natureza nesses dois grupos: mulheres viajantes solo e pessoas 60+.


“Somos levadas a aprender que somos frágeis, delicadas, e que precisamos estar sempre naquele lugar de conforto, junto dos filhos ou do marido. Todo mundo gosta de ter segurança, claro, mas existe um imaginário exagerado em relação às mulheres”, apontou Luciane Leal, criadora de conteúdo para mulheres viajantes e que administra um grupo com 160 mil mulheres no Facebook.


Ela apresentou o resultado de pesquisas que fez com 1.840 integrantes de seu grupo, mostrando que há uma demanda reprimida de mulheres que querem viajar sozinhas, mas não o fazem – ou fazem menos do que gostariam. E afirmam que isso acontece pelo seguintes motivos:

  1. Medo de sentir violência física (36% de respostas);

  2. Achar que não vai dar conta (24%);

  3. Não ter alguém para compartilhar (9%);

  4. Ser assediada por estar sozinha (7%).


Já em relação ao ecoturismo, 2.438 mulheres responderam a pesquisa, dizendo que não investem mais nessas viagens porque não se sentem seguras para fazer trilhas sozinhas e porque não encontram prestadores de serviços que julguem confiáveis.


“As conversas que tive mostram que as mulheres viajariam mais se percebessem que seriam bem atendidas e estivessem seguras. Por isso é importante que produtos e serviços para nós tenham a promoção da sensação de segurança e acolhimento e confiança na hora de atender”, disse.


“GERAÇÃO PRATEADA” PEDE PASSAGEM

Já Sylvia Yano, blogueira e podcaster sobre viagens para pessoas 60+, usou matemática simples para mostrar que todos segmentos do Turismo, incluindo o ecoturismo, precisam estar mais bem preparados para receber esse público. Afinal, todas as projeções demográficas para o Brasil apontam para o envelhecimento médio da população, e em 2050 o número de idosos será maior que o de jovens.


“Além disso, a expectativa de vida no Brasil deve chegar a 80 anos até 2030. As pessoas envelhecem com mais qualidade, e envelhecer é mais do que gastar com saúde. As pessoas 60+ viajam, namoram, voltam a estudar, compram pela internet, consomem e compartilham experiências”, disse a viajante que já passou por 47 países e 25 Estados brasileiros.


Ela apresentou estudos sobre a “geração prateada” (em referência aos cabelos grisalhos) mostrando que a maioria dessa população não se sente representada pela forma como são retratados na mídia e na publicidade, que refletem os serviços oferecidos a elas – uma forma de etarismo, ela observa.


Segundo Sylvia, há formas simples e eficientes de se mostrar mais aberto ao público 60+ e atender suas demandas. Tais atitudes ainda podem tornar mais rentáveis os negócios do Turismo:

  • Oferecer serviços e atrativos fora de alta temporada, já que esse público prefere datas alternativas para encontrar os destinos mais vazios;

  • Da mesma forma, investir em dias da semana de menor demanda, com atendimento personalizado; Inserir esse público como alvo na divulgação de serviços, usando redes sociais e WhatsApp para alcançá-los;

  • Adaptando roteiros para atender suas eventuais limitações;

  • Oferecer alimentação inclusiva, com questões de saúde levadas em conta.


E, principalmente, não prejulgar o que esse público quer ou não quer. Muitos, como Sylvia, estão interessados no ecoturismo e em opções de maior contato com a natureza: “Não é a idade que determina a escolha do destino, e sim o viajante. Vai depender do propósito de cada um”, diz.


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